Aprender é um talento!
Novamente vou me apegar na palavra talento.
Mais um texto simples e brilhante do Eugenio Mussak, falando sobre o talento, agora ressaltando que a pessoa denominada talentosa está sempre em busca de aprender. Isto me inspirou a falar sobre a palavra VONTADE.
Tantas coisas posso dizer sobre a vontade... Podemos associar a vontade com o desejo... algo que nos move, que determina nossas atitudes e que transforma. Por exemplo, estudo para a prova de inglês porque tenho vontade de aprender a cantar a música internacional que gosto;
faço academia porque desejo ter um corpo que me proporcione maior saúde e satisfação visual/estética; acordo cedo porque desejo não ser descontado no trabalho por ter me atrasado.
A vontade está associada à algo que é importante para você, seja para lhe proporcionar prazer ou para evitar o sofrimento.
A grande questão é porque alguns pessoas que desejam algo, não realizam o que é necessário para alcançá-lo?
Perceberam que em todos os exemplos que apresentei, havia uma ação intermediária para se obter o ponto principal de desejo?
Eu gostaria de cantar as músicas que gosto corretamente e compreender as letras, estantaneamente, mas até que consiga alcançar este objetivo, preciso dedicar tempo, atenção, concentração, dinheiro, para estudar e aprender. No percurso sentirei dificuldades, que me deixarão angustiada e com vontade de jogar tudo para o alto, mas se quiser ver os resultados, é necessário ultrapassar estes obstáculos.
É assim o processo de aprendizagem: confuso, angustiante, até que comece a ter significado. Mas como seres humanos, fomos acostumados a nos esquivar da dor, do sofrimento e do desconhecido que nos ameaça. Muitas vezes optamos por recuar ao ponto que não é o desejado, mas se torna confortável por ser previsível.
Vamos pensar em algumas situações: a esposa que sofre agressões do marido, mas tem medo de não ter como se sustentar; o filho que não se dedica a escola e apanha, fica de castigo, mas que vê que este é o único jeito de obter atenção dos pais; o profissional que deseja ganhar mais, mas quando pensa em investir em um curso, em ser aprimorar, deixa para depois, para não perder o happy hour com os amigos; a mulher que deseja emagrecer, mas que define que iniciará o regime na próxima segunda-feira, porque neste final de semana tem o aniversário da sobrinha que e ela não aguentará ficar sem comer o pedaço de bolo.
Os exemplos são diversos, mas e você, o quanto está determinado a mudar sua vida? O quanto faz diferença essa nova realidade que você tanto sonha?
Para inspiração, deixo abaixo o texto do Eugenio Mussak, destacando como as empresas valorizam hoje os verdadeiros talentos que, constantemente, estão aprendendo.
Boa leitura
Bianca Cardoso Benassi
A capacidade de aprender é uma das competências mais valorizadas hoje pelos empregadores e líderes. O talento aprende, sempre...
Por Eugenio Mussak
Conversei com um presidente de empresa que gosta de se envolver nos processos seletivos de seus executivos. Quando lhe perguntei o que ele valorizava nos candidatos, ele respondeu sem titubear: - São duas as variáveis: capacidade de entregar resultado e vontade de aprender permanentemente. Campeão de assertividade, esse presidente. Ele sabe que a empresa vive de resultados, mas está interessado em resultados sustentáveis e crescentes, e isso só se consegue com gente que está evoluindo sempre.
Por isso o desejo genuíno de aprender passou a ser uma qualidade desejada no mundo corporativo. Em função de visões como esta é que as companhias estão virando escolas. Há, porém, uma diferença entre elas e a faculdade que você cursou. Lá, havia um professor que compartilhava com você a responsabilidade por sua formação. Na empresa, essa responsabilidade está sobre seus ombros.
As empresas valorizam quem não espera ser ensinado
Se as companhias apreciam quem quer aprender, têm especial predileção por quem não espera que alguém venha ensinar. Aprender é seu ofício. Nesse sentido, a curiosidade, a inquietação intelectual e a busca do conhecimento contínuo passaram a ser as características apreciadas nas empresas. Bem, pelo menos nas organizações bem administradas. Considerando o que disse o presidente, temos duas variáveis, portanto são quatro as possibilidades.
Vejamos:
Quem tem baixo desempenho e grande vontade de aprender é um potencial - a empresa investe.
Quem tem bom desempenho, mas perdeu a vontade de aprender, está acomodado - a empresa se preocupa.
Quem tem desempenho alto e grande vontade de aprender é um talento - a empresa reconhece e quer reter.
E quem tem baixas essas duas variáveis não tem mais espaço - a empresa elimina.
Perceba que no mundo dos recursos humanos ser um talento não significa ter uma habilidade especial, um dom artístico ou uma inteligência superior. Ser um talento significa ser possuidor da combinação entre o desempenho e o desejo de aprender e evoluir.
Ser um talento, portanto, é uma questão de vontade!
Eugenio Mussak é professor do MBA da FIA e consultor da Sapiens Sapiens.
Fonte: Publicado na revista Você S/A ed. 140